Relações

A carência de relações profundamente afetivas entre os indivíduos expõe cada vez mais a importância política da produção de afetos. Não há dúvida de que as divisões hierárquicas e o confinamento servem para tornar as relações humanas cada vez mais artificiais e utilitárias. Por isso elas são estabelecidas em ambientes demasiado organizados, onde a eficácia das tarefas que são consideradas "urgentes" quase não permite que relações de outra natureza aconteçam. A privação da constituição de relações autênticas é, talvez, a maior causa do adoecimento humano, restando ao homem relacionar-se com o mundo de modo falso, vagueando pelos caminhos que, imaginariamente, foram construídos para ele. É impossível que seja produzida uma revolução social que ignore as relações afetivas. As relações que são tecidas sem a mediação do homem-parasita possuem uma sustentação própria e, além disso, têm um poder de contágio por vários canais da sociedade. Através das nossas atividades cotidianas devemos expandir isso, com toda a nossa força! Chegaremos a um grau de tamanho envolvimento afetivo que, muitas vezes, já não será sequer necessário pedir um abraço ao outro, pois apenas com o encontro dos olhares tudo já é dito... Um canto pode mudar a vida de alguém, assim como um carinhoso toque na pele, acompanhado de palavras delicadamente sussurradas ao ouvido do outro - é impossível que, através do afeto, não seja criada uma outra perspectiva da existência. O amor que surge nessas experiências passa a nos guiar por toda a nossa vida.

Comentários

negromonte disse…
O NOME DO MEU PAI ERA AMAURI FERREIRA