A crença na imortalidade da alma ainda alimenta a esperança dos que querem encontrar uma resposta definitiva para os seus problemas existenciais. Mas a crença numa vida imortal que seria alcançada somente no mundo do além, sofreu adaptações para atender os anseios da época “moderna”. A noção de "alma" ou de “eu” ainda permanecem praticamente inatacáveis, à medida que o homem continua a viver, sobretudo, preocupado em defender-se contra os imprevistos da vida. Essa noção é realmente muito estranha para quem vive o momento, porque o homem criador já experimenta uma felicidade de natureza absolutamente distinta daquela inventada pelos homens impotentes. Para ele, soa estranho questões como “Há vida após a morte?” ou “Para aonde irá a nossa alma?”. Ora, como as religiões oferecem as “respostas” para estas questões, mais um membro doente é adicionado por uma seita. Mas estas questões não diferem, de fato, de outras, tais como “Quanto eu vou ganhar se eu me formar em tal especialidade?”, ou então, “Qual é a profissão que mais combina comigo?”. Estas questões indicam uma aflição para buscar, alcançar e conservar um “eu” - essa é a aspiração máxima que move a vida dos homens que não criam. A identidade está à venda, portanto, aos impotentes... Aos homens criadores, tais questões nem passam pela mente deles, porque já vivem de uma maneira que sentem a eternidade vibrar a cada novo ato de superação de si. Afinal, seus problemas são muito mais nobres do que os dos atrofiados... Durante a noite, há momentos que os criadores adiam o sono, não por causa das preocupações que costumam assolar o homem comum, mas porque ainda sentem reverberar os efeitos de um dia de intensa criação... A experiência da felicidade refreia a necessidade da crença na imortalidade.
13/03/2009
Imortalidade
A crença na imortalidade da alma ainda alimenta a esperança dos que querem encontrar uma resposta definitiva para os seus problemas existenciais. Mas a crença numa vida imortal que seria alcançada somente no mundo do além, sofreu adaptações para atender os anseios da época “moderna”. A noção de "alma" ou de “eu” ainda permanecem praticamente inatacáveis, à medida que o homem continua a viver, sobretudo, preocupado em defender-se contra os imprevistos da vida. Essa noção é realmente muito estranha para quem vive o momento, porque o homem criador já experimenta uma felicidade de natureza absolutamente distinta daquela inventada pelos homens impotentes. Para ele, soa estranho questões como “Há vida após a morte?” ou “Para aonde irá a nossa alma?”. Ora, como as religiões oferecem as “respostas” para estas questões, mais um membro doente é adicionado por uma seita. Mas estas questões não diferem, de fato, de outras, tais como “Quanto eu vou ganhar se eu me formar em tal especialidade?”, ou então, “Qual é a profissão que mais combina comigo?”. Estas questões indicam uma aflição para buscar, alcançar e conservar um “eu” - essa é a aspiração máxima que move a vida dos homens que não criam. A identidade está à venda, portanto, aos impotentes... Aos homens criadores, tais questões nem passam pela mente deles, porque já vivem de uma maneira que sentem a eternidade vibrar a cada novo ato de superação de si. Afinal, seus problemas são muito mais nobres do que os dos atrofiados... Durante a noite, há momentos que os criadores adiam o sono, não por causa das preocupações que costumam assolar o homem comum, mas porque ainda sentem reverberar os efeitos de um dia de intensa criação... A experiência da felicidade refreia a necessidade da crença na imortalidade.
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5 comentários:
A muito não lia um texto tão expressivo sobre a "IMORTALIDADE" por Amaureks. Você foi muito iluminado ao definir precisamente de forma pratica o que vem a ser , ou poderá ser a Imortalidade da alma.
Meus cumprimentos,
serei uma seguidora deste evento de cultura,
Efigênia Coutinho
Amaureks, olá, retorno para agradecer sua visita ao meu espaço, e deixo um convite para ler meus versos "CONVEXO" .
É sempre gratificante retornar a este espaço literário, desejando a você, sempre muito sucesso,
com admiração e respeito,
Efigênia Coutinho
http://efigeniacoutinhopoesiascomimagens.blogspot.com/
Muito bom o texto e, interessante e paradoxalmente, o texto é uma reflexão sobre a morte! Mesmo que focando numa atitude spinosista de apreciação do presente.
Isto mostra que pensar no assunto imortalidade ainda é inevitável; como dizia Kant, não conseguimos nos livrar completamente destas questões metafísicas, pois elas nos atormentam de alguma forma.
No entanto, dar a elas uma atenção maior do que o necessário é uma "perda de tempo".
Porém, o próprio Spinoza entrou neste assunto, em um determinado momento de sua Ethica, com alguns insights muito interessantes que merecem uma reflexão... uma hora destas vou tentar sistematizar para escrever e aí te aviso para você dar uma olhada.
Parabéns! Estou sempre "de olho" no teu blog ;). Gosto da forma como vc escreve e de como aborda os assuntos.
Guilherme
http://philosophia-aton.blogspot.com
cara Amauri mais um excelente texto, se me permitires, gostaria de anexar na tua página no Espaço Ecos .
aguardo contato, abraços afetuosos
virgínia
vicamf@yahoo.com.br
Mas quando vivemos aquilo que lemos é revelado ...
ESTE ESPAÇO SEMPRE QUE VENHO, TORNO A LER ALGUM ARTIGO SEU, E SEMPRE SAIO RICA DE BOA LEITURA.
HOJE VIM DESEJAR UMA FELIZ PÁSCOA
Efigênia Coutinho
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