Explorador

O explorador não quer respostas ou explicações, ele quer cada vez mais alimentos – com isso ele ensina que são os alimentos que nos fazem evoluir, ao contrário das explicações que servem para nos manter no mesmo mundinho pobre. Querer os alimentos envolve risco, abertura ao desconhecido – isso permite que as tarefas utilitárias sejam temporariamente deixadas de lado, reservadas para os lugares e os momentos mais apropriados. Por isso seu ensinamento nos diz: organizar a nossa vida para privilegiar a exploração, para não deixarmos que essa fome por conhecimento se esgote, para que o nosso pensamento seja capaz de ir para regiões inexploradas – isso, certamente, não é para chegarmos a algum lugar e nem para encontrarmos respostas definitivas, mas, pelo contrário, é para não permitirmos que a vida escape das nossas mãos, para seguirmos o seu movimento de ir adiante, sem falsos temores. “Estou triste, tenho andado muito triste ultimamente. Hoje, até senti as minhas pernas balançarem com tanta tristeza...” – assim o indivíduo enfraquecido expõe para nós o sentimento que lhe atormenta tanto, com o seu coração oprimido, misturado com lágrimas impossíveis de serem contidas. A tristeza alojou-se nele porque perdeu a vontade de explorar, de ser um curioso insaciável (o que o faria sair da mesmice). Ao olhar para trás, a sua tendência é tentar encontrar alguma justificativa no seu passado, na sua infância, na sua educação, no seu casamento, na sua profissão, para querer convencer-se de que é incapaz de fazer algo novo, diferente, desconhecido. Ele imagina que, se as coisas ocorreram como não deveriam, então não existe mais possibilidade de saída. Mas o que deu errado não serve como justificativa para nos resignarmos! A vida nos empurra para irmos adiante e a tristeza alojada em nós é indicadora disso... Tentativa e erro: nem sempre o que fazemos dá certo, por isso tentamos novamente, de outro modo, pois, afinal, as circunstâncias são completamente diferentes. Nós e o mundo não podemos ser mais os mesmos. O explorador aprende com os erros, não os leva a sério, inclusive se fortalece por meio deles e é capaz de agradecê-los. Ele domina porque é paciente, observador, sabe esperar e age quando sente que deve agir. Alegra-se por seguir nesse movimento de exploração da produção do real. Com oitenta anos, olha para si e ao seu redor e constata que permanece jovem, que o mundo todo continua jovem. Tomado por esse pensamento, seu corpo arrepia-se inteiramente e sua alma se enche de gargalhadas – ele tem absoluta consciência que é impossível que a exploração do mundo seja concluída. Ele explora para seguir mudando...

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